Enfermagem Lidera Afastamentos Por Saúde Mental No Brasil
Técnicos de Enfermagem (6º), auxiliares (18º) e enfermeiros (22º) estão entre os trabalhadores mais afastados por razões de Saúde Mental. Os dados do INSS integram a plataforma SmartLab, desenvolvida pela OIT e MPT, e foram divulgados pelo G1. Juntos, os profissionais de Enfermagem somam 70.701 licenças entre 2012 e 2024.
O número é muito maior, alerta o conselheiro federal Josias Ribeiro, coordenador da Câmaras Técnicas do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). “A previdência social registra somente afastamentos a partir de quinze dias. Os afastamentos menores não entram nessa contabilização. Não estão incluídos, também, os profissionais que são MEI ou estatuários, do estado ou munícipio, que têm previdência própria. Vemos com bastante preocupação esse número alarmante de afastamento de profissionais de Enfermagem por razões de Saúde Mental”, afirma.
O Brasil teve recorde histórico de mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, um aumento de 15% em relação a 2024. Episódios depressivo-ansiosos lideram os afastamentos. Na linha de frente do atendimento, a Enfermagem está pressionada por longas jornadas, alta carga emocional, equipes reduzidas e normalização da violência no trabalho.
Trabalho cura, mas também adoece
70.701 profissionais de Enfermagem foram afastados por questões de Saúde Mental entre 2012 e 2024, segundo levantamento realizado pela OIT e MPT, com base nos dados do INSS.
O OIT estima que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido à depressão e à ansiedade, com custo à economia global de quase um trilhão de dólares. O impacto da Saúde Mental sobre o trabalho ocorre em países de baixa renda e nos países desenvolvidos, segundo Relatório Mundial da Saúde Mental, publicado pela OMS em 2022.
Para a OIT, o trabalho é um potencial fator de promoção da Saúde Mental, por proporcionar estrutura temporal, contato social, senso de esforço e propósito coletivos, identidade social e atividade regular, fundamental na organização da rotina. Mas pode contribuir também para o adoecimento psíquico, com condições como “sobrecarga de trabalho, falta de instruções claras, prazos irrealistas, não-participação nas tomadas de decisão, insegurança no emprego, condições de trabalho em isolamento, vigilância e arranjos inadequados de cuidado com filhos pequenos”.
Para a professora Dorisdaia Humerez, doutora em Enfermagem e Saúde Mental, “independente da resiliência individual, os processos de trabalho têm consequências sobre a saúde mental dos empregados”. “A ideologia gerencialista, que busca canalizar todo o capital mental do indivíduo para o trabalho, pode desencadear quadros agudos de estresse, ansiedade e depressão. A vigilância panóptica também mina a motivação intrínseca do indivíduo, o sentimento de coletividade”, afirma.
Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde Mental
O Cofen aprovou, na semana passada, a criação de Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde Mental. O grupo vai reunir especialistas para subsidiar posições do conselho em políticas de Saúde e fortalecer ações de apoio aos profissionais. Entre as atribuições na nova Câmara Técnica está a ampliação e reformulação do Programa Enfermagem Solidária, que passará a se chamar “Central de Atendimento e Suporte à Saúde Mental” e funcionar com agendamento, por meio da multiplataforma CofenPlay.
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