Enfermagem amplia prevenção e cuidado oncológico

Publicado em 04 de fevereiro de 2026
Enfermagem Amplia Prevenção E Cuidado Oncológico

O Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, recoloca o tema no centro da saúde pública: prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento em tempo certo. No Brasil, a projeção é de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo a Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ao excluir tumores de pele não melanoma, a estimativa fica em cerca de 518 mil casos anuais.

No cenário internacional, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), estimou cerca de 20 milhões de novos casos e 9,7 milhões de mortes por câncer em 2022, com tendência de crescimento nas próximas décadas.

Esse avanço não é um destino fechado. Um estudo de 2024 da Sociedade Americana do Câncer (ACS) estimou que aproximadamente 40% dos diagnósticos e quase metade das mortes por câncer em adultos a partir de 30 anos estiveram associados a fatores de risco modificáveis, como tabagismo, álcool, excesso de peso, sedentarismo, dieta e infecções preveníveis. O dado é dos Estados Unidos, não deve ser considerado automaticamente no Brasil, mas expõe o tamanho do ganho possível quando prevenção e rastreamento funcionam.

A campanha global do Dia Mundial do Câncer para 2025–2027, “United by Unique”, reforça o cuidado centrado na pessoa e cobra respostas coordenadas da atenção básica à alta complexidade.

Onde a prevenção falha e a enfermagem vira protagonista

O gargalo real raramente é falta de informação. É jornada de baixa adesão a exames, atraso em encaminhamentos, medo, desinformação, resultado que não chega, retorno que não acontece. A equipe de enfermagem está na linha de frente do ponto mais frágil do sistema: transformar orientação em ação, e ação em continuidade.

Na prática, o protagonismo aparece na triagem e no acolhimento, na anamnese dirigida e no registro consistente, na educação em saúde baseada em evidência e na busca ativa de faltosos. Quando há suspeita, a enfermagem também sustenta o fluxo: reforça sinais de alerta, direciona o serviço certo e reduz o tempo perdido entre sintomas, diagnóstico e início de tratamento.

Tratamento: enfermagem como barreira de segurança

No cuidado oncológico, a enfermagem é uma barreira concreta contra eventos adversos e interrupções terapêuticas. Administração segura, vigilância clínica, detecção precoce de toxicidades e orientação de autocuidado não são tarefas menores: são decisões que determinam desfecho.

O risco está nos detalhes do cotidiano: sinais de neutropenia febril, manejo de náusea e vômito, mucosite, dor, hidratação, integridade de acessos, prevenção de infecção e orientação objetiva sobre quando procurar urgência. Quando o paciente entende o que observar e quando agir, ele chega mais cedo ao cuidado certo, e isso muda prognóstico e custo.

O INCA também destaca diferenças regionais na incidência de alguns tumores, o que reforça a necessidade de organização de rede, rastreamento bem feito e coordenação do cuidado para reduzir iniquidades.
Capacitação
Para aprofundar competências clínicas e de segurança do paciente, com foco em pacientes críticos e rotinas assistenciais que impactam diretamente a oncologia hospitalar, O Instituto Enfermagem de Valor oferece a pós-graduação em Trauma, Urgência, Emergência e Terapia Intensiva, entre outras.