Brasil reduz em 86% o número de crianças sem vacina no primeiro ano de vida

O Brasil reduziu de 255 mil para 50 mil o número de crianças sem nenhuma dose de vacina entre 2024 e 2025. O dado integra as Estimativas OMS-UNICEF de Cobertura Vacinal Nacional, conhecidas como WUENIC, e coloca o país entre os destaques internacionais na recuperação da vacinação infantil.
A queda representa um avanço expressivo para a saúde pública brasileira, mas também evidencia uma dimensão essencial do resultado: a atuação cotidiana das equipes de Enfermagem nas salas de vacinação, na busca ativa, na orientação às famílias e na manutenção da segurança dos imunobiológicos.
Em todo o país, são cerca de 38 mil salas de vacinação, quase todas coordenadas por enfermeiros. Na prática, é esse profissional que organiza o serviço, supervisiona a equipe, avalia a situação vacinal da criança, orienta responsáveis, identifica atrasos no calendário e contribui para combater a desinformação que ainda afasta famílias da imunização.
O avanço brasileiro e o risco da vacinação incompleta
O levantamento mostra que o Brasil vem recuperando coberturas vacinais após anos de queda. Em 2023, o país tinha cerca de 360 mil crianças “zero-dose”, aquelas que não receberam sequer a primeira dose da vacina com componente DTP no primeiro ano de vida. Em 2024, esse número caiu para 255 mil e chegou a 50 mil em 2025.
Apesar da melhora, especialistas alertam que iniciar o esquema vacinal não basta. Para que a criança seja considerada protegida, é necessário receber todas as doses e reforços indicados no calendário. A interrupção do esquema mantém crianças suscetíveis a doenças imunopreveníveis, como o sarampo, que segue como ameaça global.
Esse ponto é central para a Enfermagem. O enfermeiro não atua apenas no momento da aplicação da vacina. Sua responsabilidade envolve planejamento, conferência de registros, identificação de faltosos, acolhimento de dúvidas, orientação sobre eventos adversos esperados e encaminhamento adequado diante de sinais de alerta.
Enfermeiro é peça-chave na confiança vacinal
A recuperação da cobertura vacinal depende de estrutura, financiamento, sistemas de informação e disponibilidade de vacinas. Mas também depende de vínculo.
É no contato direto com famílias, crianças e comunidades que o enfermeiro exerce um papel decisivo para reconstruir a confiança na vacinação. Cabe a esse profissional traduzir informações técnicas em orientação clara, combater mitos, explicar a importância das doses de reforço e reconhecer barreiras reais de acesso, como distância, horários, vulnerabilidade social e dificuldade de acompanhamento do calendário.
Na atenção primária, a Enfermagem também tem papel estratégico na integração entre vacinação, puericultura, vigilância em saúde e ações escolares. Cada consulta, visita ou ação comunitária pode se tornar uma oportunidade para verificar a caderneta e reduzir o risco de abandono vacinal.
Mundo ainda tem milhões de crianças desprotegidas
O avanço brasileiro ocorre em um cenário global ainda preocupante. Segundo o relatório da OMS e do UNICEF, 13,5 milhões de crianças no mundo continuaram sem receber nenhuma vacina no primeiro ano de vida em 2025.
Além disso, 7,3 milhões de bebês receberam a primeira dose da DTP, mas não completaram o calendário antes da primeira dose contra o sarampo. A cobertura contra a doença segue abaixo dos 95% recomendados para prevenir surtos, e dezenas de países registraram epidemias ou surtos importantes.
Esse cenário reforça que a imunização não pode ser tratada como uma ação pontual. Ela exige vigilância permanente, registro qualificado, comunicação com a população e equipes preparadas para atuar tanto na rotina quanto em campanhas.
Da vacinação à alta complexidade, decisão segura salva vidas
Para a Enfermagem, os dados brasileiros mostram que a recuperação vacinal é possível quando há organização da rede, fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações e atuação consistente das equipes na ponta.
O desafio agora é transformar o avanço em proteção sustentada. Isso significa garantir acesso, reduzir desigualdades, completar esquemas, monitorar coberturas e manter a população informada com segurança técnica.
Seja na sala de vacinação, na atenção primária, na urgência, na emergência ou na terapia intensiva, o enfermeiro ocupa uma posição decisiva na proteção da vida. Em todos esses espaços, a qualidade da assistência depende de preparo técnico, raciocínio clínico, domínio de protocolos e segurança para agir no tempo certo.
Para o enfermeiro, atuar em urgência, emergência e terapia intensiva exige agilidade, conhecimento, técnica e segurança para tomar decisões em momentos em que cada conduta pode mudar o desfecho do paciente.
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